Arquivo da categoria: Grandes Desastres

2015 – Tornado em Xanxerê/SC

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 Foto: Climatologia Geográfica 

Em abril de 2015, um tornado atingiu as cidades de Xanxerê, cidade do Oeste de Santa Catarina com, aproximadamente, 48 mil habitantes.  O tornado chegou a escala F2 com ventos que variam de 181km/h a 252km/h. Cerca de 3 mil casas foram atingidas, quatro pessoas faleceram e 120 foram hospitalizadas.

De acordo com a Defesa Civil de Xanxerê, pelo menos sete bairros da cidade, mais de 500 construções foram danificadas, entre residências, estabelecimentos comerciais e prédios públicos. O Governador do estado, Raimundo Colombo, decretou Calamidade Pública, permitindo ao ente solicitar recursos a União para ações de socorro e assistência.

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Foto: Economiasc

Santa Catarina é uma das regiões do país mais favoráveis à formação de nuvens cumulonimbus, as que podem dar origem a tornados conforme o Inmet.  Com a incidência de frentes frias, fenômenos de chuva e não de frio, há mais chances de ocorrência do fenômeno.

No vídeo, a seguir, imagens do tornando que afetou Xanxerê:

2015 – Inundações e Alagamentos no Acre

brasileia_submersa_casas_001 Foto: Brasileia Submersa 

Em fevereiro de 2015, a capital Rio Branco e os municípios:  Assis Brasil, Xapuri, Tarauacá, Epitaciolândia e Brasileia foram afetados por fortes chuvas, resultando na elevação do nível do Rio Acre e assim inundando as cidades, causando destruição. O rio, cuja nascente está localizada no Peru, inundou, também, as  cidades de Iñapari, no Peru, e Cobija, na Bolívia. Em Brasileia, as casas foram arrastadas, vias tiveram seus acessos encobertos, a cidade ficou ilhada aproximadamente 5 dias e sem luz, água e telefone por duas semanas.

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Foto: cheia história do Rio Acre

Rio Branco decretou Estado de Calamidade Pública devido aos alagamentos.  Até mesmo em bairros de palafitas onde o nível do rio costuma subir, a água alcançou o teto de algumas moradias.  O nível das águas na capital chegou a 17,96 metros, segundo o Sistema de Monitoramento Hidrológico da Agência Nacional de Águas. De acordo com a Defesa Civil, mais de 5 mil ficaram desabrigadas.

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Foto: Produtores tentando amenizar os prejuízos

Prejuízos na produção rural chegaram a quase um milhão, por conta da enchente, e 67 famílias produtoras que moravam às margens do rio Acre foram atingidas. O rio alagou cerca de 39 hectares de mandioca e 38 de banana. Algumas famílias também perderam gado e galinhas.

2014/2015 – Crise Hídrica no Sudeste Brasileiro

crise hidrica spFoto: Reservatório da Cantareira, durante a estiagem.

Desde  2014 o sudeste do Brasil entrou em um processo intenso de estiagem, com o reservatório da Cantareira (o mais afetado pela crise hídrica) chegando pela metade. Até abril de 2015 choveu metade do esperado.

Em São Paulo, a crise hídrica afetou quase metade da população: 20 milhões de pessoas de 68 municípios paulistas e mais a capital entraram em racionamento de água em 2014. O sistema da Cantareira atende mais de 9 milhões de paulista, sendo 8 milhões só na capital.

O sudeste passa pela pior crise hídrica dos últimos 85 anos e que pode durar décadas ainda. Embora as chuvas de fevereiro e março de 2015 tenham sido superiores a média esperada para estes meses, não foi o suficiente para encher os reservatórios.

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Foto: Represa Jaguari-Jacarei

O rios mais atingidos pela crise hídrica são: Rio Atibaia, Rio Jacarei, Represa Jaguari, Represa de Bragança Paulista, afetando os Estados do Espírito Santo, Minas Gerais, Rio de Janeiro e São Paulo.

Segundo a Companhia de Saneamento Básico do Estado de São Paulo, em 2015 o reservatório chegou a quase 4% de sua capacidade. O volume operacional acabou em maio de 2015 quando se passou a utilizar o volume morto, uma reserva técnica adicional dos reservatórios.

A crise hídrica afeta as pessoas, a produção agrícola e mais de 50 mil indústrias paulistas. Um relatório divulgado pelo Tribunal de Contas do Estado (TCE) de São Paulo afirmou que a crise da água no estado “é resultado da falta de planejamento das ações da Secretaria de Saneamento e Recursos Hídricos.” Alertas foram dados desde 2004 segundo o relatório.

2014 – Cheia do Rio Madeira Afeta Rondônia, Pará, Acre e Amazonas

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Foto: Porto Velho alagada, Folha de São Paulo, acesso em 12/08/2015.

Em março de 2014, o Rio Madeira atingiu sua cota máxima de 19,72 metros, deixando um rastro de prejuízo no Acre, Amazonas, Pará e Rondônia.  A enchente de 2014 afetou muito fortemente a Bolívia, onde há duas áreas de impacto das barragens na área de Madeira, gerando impacto indireto direto.

Na última grande enchente registrada no rio Madeira, em 1997, o nível do rio chegou 17,52 metros – dois metros a menos que neste ano de 2014. Há outros relatos de enchentes devastadoras nos anos 1950, 1986/87; 1997.

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Foto: Caminhões e ônibus se arriscam em trecho da estrada BR 364, alagada, Folha de São Paulo, acesso em 12/08/2015.

Em 2014, a cheia do rio Madeira provocou graves danos a populações urbanas e ribeirinhas, desabrigando milhares de famílias, interditando estradas, isolando comunidades, provocando desabastecimento nas cidades e causando doenças transmitidas por contaminação da água, como diarreias e leptospirose. Houve, ainda, a suspeita de cólera em Porto Velho, capital de Rondônia.

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Foto: Crianças brincam nas águas da enchente. Ruas do bairro Nacional,  Folha de São Paulo, acesso em 12/08/2015.

O Ministério da Integração Nacional destinou mais de R$ 12 milhões para os estados de Acre, Amazonas, Pará e Rondônia. Veja, a seguir, os valores destinados pelo Governo Federal aos municípios afetados pela cheia e que decretaram Situação de Emergência ou Calamidade Pública:

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Fonte: Rede Brasil Atual, acesso em 12/08/2015.

Municípios atingidos no Amazonas:  Guajará, Ipixuna, Envira, Lábrea, Pauini, Apuí, Canutama, Manicoré, Novo Aripuanã, Borba, Nova Olinda do Norte, Tapauá, Itamarati, Autazes, Urucará, Boa Vista do Ramos, Itacoatiara, Anamã, Urucurituba, Careiro da Várzea, Caapiranga, Anori, Parintins, Barreirinha e Nhamundá, CareiroManacapuru, Manaus, Maraã, Beruri e Maués.  Os municípios Boca do Acre e Humaitá decretaram Estado de Calamidade Pública.

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Foto: Distrito de São Carlos, alagado pela cheia do Rio Madeira, G1- Globo, acesso em 12/08/2015.

Municípios atingidos em Rondônia: Além de Porto Velho e os distritos localizados no eixo da BR-364, Baixo e Médio Madeira e margem esquerda do rio, foram afetados pela maior enchente os municípios Nova Mamoré, Guajará-Mirim e Candeias do Jamari.

Em Rondônia houve um aumento de 300% de casos de leptospirose comparado ao mesmo período dos anos anteriores e mais de 12 mil pessoas ficaram desabrigadas. No auge da cheia, mais de 1,6 mil famílias ficaram desabrigadas e 5,1 mil propriedades rurais foram inundadas em Rondônia, provocando um prejuízo de 400 milhões de reais

1583/2012: Histórico de Secas no Nordeste do Brasil

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Foto: Água Branca, Alagoas, arquivo CEPED UFSC.

Desde o século XVI, já tivemos inúmeras secas no Brasil, 124 foram registradas apenas no semiárido do nordeste.  De acordo com Natalício de Melo, as informações sobre as secas derivam de informações diversas, as mais antigas advém  de dados do Padre João de Azpilcuetta Navarro e de Fernão Garmin. As secas do Século XVII foram registradas por  Joaquim Alves e as dos Séculos XVIII e XIX por Tomaz de Souza, Joaquim Alves,  Euclides da Cunha (o conhecido autor do livro os Sertões),  Limério Moreira da Rocha (autor do livro Russas) e José Ramalho Alarcon. Somente nos Séculos XX e XXI aparecem os registros do Instituto de Meteorologia -INMET,  da Superintendência do Desenvolvimento do Nordeste – SUDENE  e do Departamento Nacional de Obras Contra as Secas – DNOCS.

Veja a seguir os registros históricos de seca no Nordeste do Brasil:

Seca de 1583- 1585:  a primeira noticia sobre seca foi descrita pelo padre Fernão Cardin. Ele relata que houve uma grande seca no nordeste, fazendo os índios abandonarem a região por algum tempo. Cinco mil índios se deslocaram do Sertão de Pernambuco e Rio Grande do Norte para o litoral, pois as fazendas haviam deixado de produzir, afetando atividades associadas à cana-de-açúcar e mandioca,  causando fome em várias áreas.

Seca de 1692:  Segundo o historiador Frei Vicente do Salvador, a seca atingiu todo o Rio Grande do Norte e Paraíba, causando prejuízos a população e pecuária.  Durante a seca, os indígenas se uniram e começaram a invadir as fazendas em busca de alimento. A imigração foi a única alternativa para povos que não tinham como se alimentar. A imigração em direção a Minas Gerais iniciou em 1692 em função da seca e da mineração de ouro.

Seca de 1720:  – A pior seca e longa estiagem que se iniciou em 1720 e se prolongou até 1727, totalizando sete anos seguidos se seca. Há descrições do Senador Pompeu de Sousa Brasil que essa seca atingiu os estados do Ceará, Rio Grande do Norte, Paraíba e Pernambuco. A seca e a fome fez assolar pela região, secou fontes, estagnou rios, esterilizou lavouras, e dizimou quase todo o gado. Seca alarmante nas províncias do Ceará e do Rio Grande do Norte.

Seca de 1790:

Este ano no Ceará, Alves faz referencia a um testemunho de uma autoridade que afirma que que a seca matou todo o gado, causando falta de carne seca. A imigração foi intensificada pela seca, fome e doenças que se estenderam pelo nordeste. Seca transformou homens, mulheres e crianças em pedintes. Foi criada a Pia Sociedade Agrícola, primeira organização de caráter administrativo, cujo objetivo era dar assistência aos flagelados.

Seca de 1877: 

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Foto: Retirantes da seca de 1877, acesso em 26/8/2015.

Uma das mais graves secas que atingiram o nordeste. Fortaleza chegou a ter cem mil habitantes, os sertanejos chegavam de diversas regiões com a esperança de migrarem para fora do Ceará, fugindo da seca, fome e pestes. No interior, unidos em grupos, flagelados saqueavam depósitos de mantimentos do governo. Em Juazeiro o padre Cícero se desdobrava para salvar seus fiéis, pois a seca estava acabando com o povoado que ele vivia há cinco anos.

Hoje se calcula que morreram mais de meio milhão pessoas em consequência das secas de 1877 / 1878 /1879. O engenheiro André Rebouças, abolicionista, negro, respeitado por suas ideias progressistas, calculava em mais de dois milhões as pessoas atingidas pela seca, ainda em novembro de 1877.

Seca de 1980:

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Foto: Região Nordeste no ano em que a seca chegou ao auge, acesso em 26/8/2015.

Essa foi uma das secas mais prolongadas da história do Nordeste: durou 7 anos. O auge do problema foi em 1981.  A estiagem deixou um rastro de miséria e fome: lavouras perdidas, animais mortos, saques à feiras e armazéns por uma população faminta e desesperada. Atingiu toda a região, deixando um rastro de miséria e fome em todos os Estados. No período, não se colheu lavoura nenhuma numa área de quase 1,5 milhões de km2. No período, 3.5 milhões de pessoas morreram, a maioria crianças sofrendo de desnutrição.  Pesquisa da Unesco apontou que 62% das crianças nordestinas, de 0 a 5 anos, na zona rural, viviam em estado de desnutrição aguda.

Seca de 1998: 

Seca - OpenBrasil.org

Foto: Open Brasil- Seca de 1998, acesso em 26/8/2015.

Na década de 90, os anos de 1993, 1996, 1997, 1998 e 1999 foram anos sofríveis.  A seca de abril de 1998 estava prevista há mais de um ano, em decorrência do fenômeno El Niño, mas, como das vezes anteriores, nada foi feito para amenizar os efeitos da catástrofe.  Os efeitos de uma nova seca no Nordeste: população faminta promovendo saques a depósitos de alimentos e feiras livres, animais morrendo e lavouras perdidas. Com exceção do Maranhão, todos os outros estados do Nordeste foram atingidos, numa totalidade de cerca de 5 milhões de pessoas afetadas. A seca foi tão grave que Recife passou a receber água encanada apenas uma vez por semana. A estiagem deixou um rastro de miséria e fome: lavouras perdidas, animais mortos, saques à feiras e armazéns por uma população faminta e desesperada.

Seca de 2001:

A seca de 2001 foi um prolongamento do período de seca do final da década de 90, que teve uma trégua em 2000. O Rio São Francisco sofreu com a pior falta de chuvas de sua história, causando uma diminuição drástica do volume de suas águas. Para piorar a situação, a falta de chuvas em todo o Brasil contribuiu para a pior crise energética que o país já viveu, somando a estiagem prolongada à falta de investimentos no setor.

Seca de 2012: 

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Foto: Seca no Nordeste, Noticiajato, acesso em 26/8/2015.

O Nordeste tem a pior seca dos últimos 30 anos (alguns meios de comunicação afirma que dos últimos 60 anos), desimano quase por completo a Pecuária e Agricultura familiar. A terra sem verde, os rios sem água e os animais magros ou mortos pelos pastos do sertão. Em algumas regiões do semiárido nordestino não caiu nenhuma gota d’água em 2012. Essa seca terminou com grande prejuízo para os criadores do Nordeste. Segundo os dados da pesquisa Produção da Pecuária Municipal, do IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatísticas), a região perdeu 4 milhões de animais.

Centenário da Seca

Documentário Retratos da Seca:

2011 – Inundações e Deslizamento na Região Serrana do Rio de Janeiro

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Foto: CEPED UFSC, 2011.

Entre 11 e 12 de janeiro de 2011, uma sequencia de chuvas fortes atingiu a região serrana do Rio de Janeiro, causando uma grande enxurrada e vários deslizamentos de terra na região. Os municípios mais afetados foram Nova Friburgo, Teresópolis, Petrópolis, Sumidouro, São José do Vale do Rio Preto, Bom Jardim na Região Serrana, e Areal na Região Centro-Sul do estado. Além destes, também foram afetados os municípios: Santa Maria Madalena, Sapucaia, Paraíba do Sul, São Sebastião do Alto, Três Rios, Cordeiro, Carmo, Macuco, Cantagalo.

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Foto: Teresópolis, CEPED UFSC, 2001.

Além das enchentes, registraram-se deslizamentos de terra, soterramento de casas e  casos de leptospirose. O desastre  provocou 905 mortes em sete cidades, afetando mais de 300 mil pessoas. A tragédia  na região serrana do Rio de Janeiro é considerada um dos dez maiores deslizamentos do mundo registrados desde 1900.

Segundo o INPE o que ocasionou esse sistema meteorológico foi a Zona de Convergência do Atlântico Sul, em dois dias a estação do INMET registrou 166 mm de chuva em Nova Friburgo, mais de 70% do valor histórico registrado para o mês.

De acordo com o Relatório Avaliação de Perdas e Danos: inundações e deslizamentos na Região Serrana do Rio de Janeiro, janeiro de 2011, elaborado pelo Banco Mundial, este desastre é considerado o pior desastre brasileiro em termos de danos humanos. As perdas e danos totais foram estimados em 4,8 bilhões de reais.

A seguir, população atingida nos municípios que decretaram Estado de Calamidade Pública:

Sem títuloFonte:  Avaliação de Perdas e Danos, Banco Mundial, 2012.

Veja, também, perdas e danos notificados por setor:

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Fonte:  Avaliação de Perdas e Danos, Banco Mundial, 2012.

2010 – Inundações Bruscas em Alagoas

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Foto: Desastres Alagoas, CEPED UFSC, 2010.

Em junho de 2010, fortes chuvas afetaram o estado de Alagoas, deixando 19 municípios em Situação de Emergência ou Estado de Calamidade Pública nos estado. De acordo com o Relatório “Avaliação de Perdas e Danos: Inundações bruscas em Alagoas, Junho de 2010, elaborado pelo Banco Mundial, o evento destruiu diversos prédios públicos, 150 km de ferrovias, 3 pontes ferroviárias, milhares de domicílios e outros ativos.

A seguir, a lista dos municípios afetados:

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Fonte: Avaliação de Perdas e Danos, Banco Mundial 2012.

O fenômeno denominado Onda de Leste, caracterizado por uma conjunção de ventos fortes do oceano em direção ao interior do estado, por uma grande concentração de nuvens nas cabeceiras dos rios e por um aquecimento acima do esperado da massa do Oceano Atlântico (Freire et al, 2014).

Estima-se que o desastre tenha afetado  mais de 1,5 milhão de pessoas. Os registros oficiais de avaliação de danos demonstram que 270 mil pessoas foram diretamente afetadas pelas inundações, das quais 44 mil ficaram desalojadas e 28 mil desabrigadas.  O número de mortes chegou 36 e 1.131 pessoas ficaram feridas.

Veja o gráfico com a  distribuição setorial dos danos e prejuízos:

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Fonte: Avaliação de Perdas e Danos, Banco Mundial 2012.

O custo total do desastre foi estimado em 1,89 bilhões entre perdas e danos, sendo que 1,58 bilhões refere-se a impactos diretos do evento.

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Foto: A cidade de Branquinha, na Zona da Mata de Alagoas, foi completamente destruída pelas chuvas, R7 notícias, acesso em 12/08/2015.

A cidade de Branquinha, no estado de Alagoas, como em várias cidades da região, foi completamente arrasada e até mesmo a geografia do lugar foi alterada.

2010 – Inundações Bruscas em Pernambuco

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Foto: Barreiros, Pernambuco, CEPED UFSC, 2010.

Em  junho de 2010, dezenas de cidades de Pernambuco e Alagoas foram afetadas pelas enchentes dos rios Una e Jaboatão devido às chuvas intensas que afetaram a região. As enxurradas que destruíram cidades inteiras como Palmares e Barreiros, 100% afetados pelo evento.  Em 24 horas choveu mais de 70% do volume esperado para o mês. As áreas mais afetadas foi então a Zona da Mata (Sul) e o Agreste Pernambucano.

De acordo com o Relatório Avaliação de Perdas e Danos: Inundações bruscas em Pernambuco, Junho de 2010, elaborado pelo Banco Mundial, 67 municípios foram afetados, dentre os quais 12 decretaram Estado de Calamidade Pública e 30 como Situação de Emergência. 20 pessoas morreram em consequência do evento.

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Foto: Barreiros, Pernambuco, CEPED UFSC, 2010.

Mais de 16 mil casas foram destruídas, mais de 9 mil casas populares danificadas, além de hospitais, prédios públicos, escolas, pontes, estradas e outros equipamentos sociais. Em termos relativos, os municípios menores foram os mais gravemente atingidos. No total, 740 mil pessoas foram afetadas diretamente pelo evento.

Observe a lista de municípios afetados em Pernambuco:

Sem títuloFonte: Perdas e Danos, Banco Mundial, 2012.

As perdas e danos estimados foram de 3,4 bilhões de reais, concentrados principalmente, no setor social devido ao número de domicílios afetados (2 bilhões de reais). Dos danos estimados nesse segmento, mais de 90% estão associados à população de baixa renda.

Veja a distribuição setorial do impacto do evento em Pernambuco:

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Fonte: Perdas e Danos, Banco Mundial, 2012.

Nos setores produtivos e de infraestrutura, as perdas e danos foram estimados em R$ 425 milhões e R$ 444 milhões, respectivamente.

2008 – Deslizamentos e Inundações Bruscas no Vale do Itajaí e Regiões de Santa Catarina

RuaHerclioLuzCentro01Foto: Centro de Itajaí tomado pela água

Em  novembro de 2008 os moradores do Vale do Itajaí enfrentaram um dos piores desastres da história de Santa Catarina junto com as inundações de 1974, 1983, 1984, 1995, 2004 e 2005. O excesso de chuva entre os dias 20 e 24 de novembro e em janeiro de 2009 provocaram inundações, enchentes e deslizamentos de terra nas encostas dos morros. De acordo com o Major dos Bombeiros Militares, Aldo Baptista Neto, foram 3 mil deslizamentos somente em Blumenau.

itajaiFoto: Arvores e casas foram levadas pela força e volume do barro

Segundos os dados da Defesa Civil, 63 cidades entraram em situação de emergência, 14 em estado de calamidade pública, 135 mortes, e 1,5 milhões de pessoas foram atingidas.

De acordo com o relatório “Avaliação de Perdas e Danos: Inundações bruscas em Santa Catarina, novembro de 2008”, elaborado pelo Banco Mundial, as perdas e danos foram significativos para o estado, totalizando 4,75 bilhões de reais, distribuídos nos setores de infraestrutura, social e produtivo.  O relatório aponta, ainda, que mais de 80 mil pessoas foram desalojadas e 38 mil ficaram desabrigadas.

ITAJAI2Foto: Enchente no Vale do Itajaí 

O evento não se limitou ao Vale do Itajaí, atingindo também as regiões Oeste, Norte, Grande Florianópolis e Sul do Estado. Sendo assim, mais de 2 milhões de pessoas e um terço do território do estado foi afetado pelas chuvas de 2008/2009. 85% do número de fatalidades ficou concentrado em seis municípios: Ilhota (26), Blumenau (24), Gaspar (16), Jaraguá do Sul (13) e Luís Alves (10).

Veja, a seguir,  a lista dos municípios afetados:

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Fonte:   “Avaliação de Perdas e Danos”, Banco Mundial, 2012.

2004 – Furacão Catarina

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Em março de 2004, ocorreu a  passagem do primeiro furacão que atingiu a costa do Atlântico Sul, chamado de Furacão Catarina, atingindo o litoral do Rio Grande do Sul e  de Santa Catarina com ventos que chegaram a cerca de 180 km/h.

A tempestade se desenvolveu a partir de um ciclone extratropical, estacionário desde o dia 12 de março. Em 26 de março de 2004, a tempestade alcançou ventos máximos sustentados com velocidades de até 180 quilômetros por hora, definida como de categoria 3 na escala de furacões de Saffir-SimpsonO ciclone ganhou o nome “Catarina” por sua proximidade com a costa do Estado de Santa Catarina.

Ao menos 40 municípios foram atingidos, 35.873 casas foram danificadas e 993 destruídas. Quatro pessoas morreram, pelo menos 518 ficaram feridas e aproximadamente 33 mil pessoas ficaram desabrigadas. Os prejuízos totalizaram aproximadamente R$ 1 bilhão de reais e 14 municípios decretaram Estado de Calamidade Pública. A força do vento arrancou 115 árvores pela raiz.

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Foto: Casas foram destruídas pelos ventos na região Sul. Ulisses Job/Clic RBS/Arquivo, acesso em 01/09/2015.

De acordo com estudo realizado por Emerson Vieira Marcelino (GEDN, Revista de Defesa Civil, CEPED UFSC, 2005), cerca de 81%, das 161 pessoas entrevistadas logo após a passagem no Furacão Catarina,  sofreram avarias diversas nos telhados das suas moradias, principalmente naquelas em que a cobertura era de amianto ou fibrocimento.

Na área rural, os maiores prejuízos foram nas culturas de milho, banana e hortifruticulturas. Os municípios afetados sofreram, principalmente, com a falta de energia elétrica, de comunicação e de abastecimento de água.

Veja, a seguir, o Mapa de Intensidade de Impacto do Furacão Catarina no sul do Brasil:

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Fonte: Emerson Vieira Marcelino (GEDN, Revista de Defesa Civil, CEPED UFSC, 2005).